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José António Ribeiro

 
José António Ribeiro
 
  
De acordo com António Baião, Manuel António Ribeiro, presbítero do Hábito de S. Pedro, Bacharel formado em Cânones, natural da freguesia de S. Miguel da vila de Ferreira, requereu também para exercer qualquer lugar na Inquisição de Goa. Declarava ser filho de Manuel Ribeiro e de Francisca Ferreira, neto paterno de Tomás Ribeiro e de Isabel Dias; neto materno de Manuel Gonçalves e de Catarina Ferreira; e pela parte paterna declarava ele ter um tio, José da Mota Ribeiro, prior em Águas Belas e comissário do Santo Ofício e pela materna seu primo Manuel Marques de Azevedo, presidente da Inquisição de Goa.
A informação do comissário, Antão Mendes Manso, de 27 de Outubro de 1760, era-lhe favorável e, em 1762, tinha 27 anos de idade valendo o seu património uns 300$000 réis. O pai e avô paterno eram carpinteiros e apesar disso os inquisidores de Coimbra eram de parecer favorável à concessão da mercê que pretendia «porque para ministros da Inquisição de Goa não he facil de achar pessoas d'outra qualidade». Foi neste sentido o parecer do conselho do Santo Ofício e, em 23 de Abril de 1762, foi ao suplicante passada provisão do Inquisidor de Goa1
O irmão mais novo deste, que tinha 23 anos de idade (em 1761), P.e José António Ribeiro, tesoureiro da igreja dos Casais, tendo feito conclusões na Universidade, habilitou-se como o irmão e a 23 de Abril de 1762 lhe foram passadas provisões para Deputado e para Promotor da Inquisição de Goa2
A respeito dos dois se lê na tradução da Narração da Inquisição de Goa, p. 299: «Serviam em 1774 quando foi extinto o tribunal pelo marquês de Pombal e por isso, na monção de 1775 regressaram para o reino, a seu pedido, como participou em 24 de janeiro do mesmo ano o governador e capitão general do estado, D. José Pedro da Câmara».
Passaram depois para a inquisição de Coimbra.
Em 27 de Novembro de 1770 foi despachado o requerimento em José António Ribeiro, inquisidor da Inquisição de Goa, cuja ascendência já conhecemos, pedia o hábito de Cristo, como seu irmão o havia também requerido.
    «Senhor, escreviam, o justificante é morador nos Estados da India, aonde serve de Inquisidor da S.ta Inquisição de Goa, sem defeito pessoal, e de edade competente, tratando-se com distincção no dito emprego, sem nota alguma, antes bemquisto de todos e de exemplar procedimento. Consta o referido do summario junto de que nos não fica copia. Lisboa, 21 de Dezembro de 1770». Assim informavam os ministros respectivos e por isso, em 31 de Janeiro de 1771, mandavam-no receber o hábito de Cristo3.  
Por decreto de 21 de Abril de 1762, quando já era promotor da Inquisição de Goa, foi-lhe dado o título de desembargador da Relação do Porto, assim como a seu irmão, Manuel António Ribeiro, ao tempo já inquisidor de Goa4.
Manuel António Ribeiro da Mota, presbítero do hábito de S. Pedro, fidalgo capelão da casa real, cavaleiro professo na ordem de Cristo, inquisidor e comissário geral, sub-delegado da Bula da Santa Cruzada, que foi no Estado da Índia tesoureiro mor da Sé primacial da cidade de Goa no mesmo estado e actualmente inquisidor apostólico da inquisição de Coimbra e desembargador da relação do Porto, natural da vila de Ferreira, filho de Manuel Ribeiro e D. Francisca Ferreira, neto paterno de Tomás Ribeiro e de Isabel Dias e materno de Manuel Gonçalves e de Catarina Ferreira da Mota, teve o seguinte brasão de armas: um escudo ovado e esquartelado; no 1º quartel as armas dos Ribeiros, no 2º as dos Dias, no 3º as dos Gonçalves e no 4º as dos Ferreiras, brasão passado a 12 de Agosto de 17765.
Em 1762 os inquisidores de Goa Manuel António Ribeiro e José António Ribeiro, fizeram um requerimento a El-Rei pedindo autorização para trocar um terreno baldio que o concelho da vila de Ferreira tem no sítio do Adro, arrabalde da mesma vila, que parte do norte com os suplicantes, do sul com os mesmos e com fazenda da capela da Gata, do nascente com fazenda foreira do mesmo concelho e do poente com o adro da Igreja, por um souto bravo. Foi a súplica a informar ao Provedor da Comarca e este, depois de ouvir os oficiais da câmara, foi de opinião favorável, dizendo que «lhe consta que os supplicantes querem edificar casas no pretendido terreno que se acha contiguo á villa e ainda se fazem mais dignos de attenção em seu requerimento pela utilidade publica de se augmentarem os edificios e estender-se a povoação da dita villa». É ofício de 20 de Junho de 1770, encontrando-se no Arquivo do Desembargo do Paço.
Manuel António Ribeiro e José António Ribeiro, inquisidores da inquisição de Coimbra, requereram mais, como possuidores de umas casas nobres com sua quinta na vila de Ferreira, o alargamento dessa mesma quinta, fazendo a troca de uma serrada chamada da Gata, pertencente à capela instituída por Fr. Fernando Marques, da qual era administradora D. Rita Vitória, por um hastim de que eles eram possuidores no campo da Golegã. Em 30 de Julho de 1779 foi despachada esta petição, mandando informar o provedor da comarca de Tomar, cuja informação não está neste processo6.  
 
 
 
1 Habilitações do Santo Officio, verb. Manuel, m. 187 e diligência n.º 1985.
2 Id., ibid., verb. José, m. 91, dilig. 1323.
3 Habilitações de Cristo, José, m. 43, n.º 1
4 Chancelaria de D. José, liv. 70, fl. 305.
5 Cartório da nobreza, liv. 11, fl. 108.
6 Provedorias de Tomar e Santarém, m. 1 de papéis diversos.