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Igreja Matriz do Espírito Santo da Igreja Nova do Sobral

 
 

Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Igreja

Localização Igreja Nova
 
 
Especialista Dr.ª Ana Torrejais
 
Morada Freguesia de Igreja Nova do Sobral
 
Referência a_Sobral_35
 
Propriedade Bispado de Coimbra

Enquadramento Localiza-se a igreja do Espírito Santo no centro do lugar de Igreja Nova do Sobral. É o templo rodeado por um largo sobrelevado e murado, ao qual se acede por meio de um lanço de escadas.

Notícias Históricas De acordo com o Boletim da Junta de Província do Ribatejo (Nº1, Anos de 1937-1940), as cerimónias religiosas iniciaram-se neste templo a partir de Março de 1609. Porém, na verga do portal principal, conserva-se incisa na cantaria a data de 1606, a qual assinala o ano de construção do templo, citado na Corografia Portugueza e nas Memórias Paroquiais.

Descrição Arquitectónica Fundada no século XVII, a igreja do Espírito Santo de Igreja Nova do Sobral tem sido modificada ao longo dos séculos por diferentes campanhas de obras, mais ou menos profundas. A planimetria do imóvel obedece a um esquema longitudinal, de nave única, dotada de cobertura em telhado de duas águas. A fachada principal, de traço claramente maneirista, é rematada por uma empena triangular e apenas ostenta um portal de verga recta, a cujo entablamento se sobrepõe uma grande janela rectangular. Do lado direito, e saliente relativamente a esta fachada, foi adossada uma torre sineira, composta por dois registos, sendo o primeiro constituído, do lado nascente, por um lanço de escadas que permite aceder, simultaneamente, quer à torre, quer ao coro-alto que se ergue, no interior do templo, sobre o pórtico principal. Sob essa escadaria, rasga-se uma porta de lintel semicircular, a partir da qual se acede a uma pequena arrecadação. Já o segundo registo da torre é constituído por quatro arcos campanários, sendo o volume rematado por meio de uma cobertura piramidal.
Na lateral sul do templo, para além da torre sineira, destacam-se os volumes de um corredor e sala de sacristia, dotados de acesso pelo exterior e iluminados por meio de duas janelas rectangulares. São estas massas dotadas de cobertura em telhado de uma única água, sobre a qual se ergue um pequeno campanário disfuncional provido de um relógio de sol. Entre a escadaria de acesso à torre campanária e o corredor de sacristia rasgam-se uma janela e um portal lateral rectangular, cujo lintel termina em entablamento, ao qual se sobrepõe, por sua vez, um frontão invertido que no tímpano tem esculpida uma flor. Por sua vez, também na lateral norte do templo, igualmente provida de portal, se destacam os volumes correspondentes ao baptistério e a uma outra sala de sacristia que serve de apoio à capela-mor.
Pelo interior, a igreja do Espírito Santo apresenta cobertura madeirada e de três planos, sendo o pavimento lajeado. O acesso à capela-mor é realizado por intermédio de um arco cruzeiro de volta perfeita e desnível de dois degraus. Também este espaço é iluminado por meio de uma janela localizada na lateral direita. O pavimento é recoberto a mosaico cerâmico, enquanto que a cobertura é abobadada.

Património Integrado O interior da igreja do Espírito Santo é preenchido por cinco altares, um púlpito e um baptistério, para além de várias obras escultóricas e pictóricas. O baptistério localiza-se na lateral norte e é dotado de pia baptismal de taça oitavada, que se desenvolve a partir de um colunelo assente sobre anel. Ao portal lateral segue-se, adossado à mesma parede, um púlpito, obra esculpida em pedra calcária de cálice subdividido em caixotões, a que se acede por meio de um lanço de escadas. Também na lateral norte, e seguidamente ao púlpito, destaca-se um retábulo produzido em talha policromada. É este altar consagrado a Nossa Senhora do Rosário, imagem de roca de grandes dimensões, provida de vestes e de uma farta cabeleira, sobre a qual dois anjinhos descem uma coroa de rosas. Na parede oposta, localiza-se um outro altar semelhante ao anterior, mas antes consagrado a Cristo Crucificado, imagem de vulto produzida em madeira policromada que se sobrepõe a uma pintura executada a óleo sobre tábua e que é representativa do suplício das Almas no Purgatório que, olhando para o Redentor, aguardam a sua salvação.
Por sua vez, no arco cruzeiro, encontram-se outros dois altares, cujo tratamento retabular é idêntico: o do lado do Evangelho é consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, enquanto que no do lado da Epístola se cultua Nossa Senhora de Fátima.
Relativamente ao altar-mor, este é ocupado por uma magnífica pintura executada a óleo, provavelmente maneirista, mas cujo material de suporte não pude avaliar. Nela é representado o tema do Pentecostes, ou seja, a descida do Espírito Santo, na forma de línguas de fogo, sobre Nossa Senhora e os Apóstolos. É a obra pictórica ladeada por duas pequenas imagens alusivas a Santo António com o Menino (lado do Evangelho) e a São Sebastião (lado da Epístola) que, por sua vez, sobrepujam duas portas através das quais se acede a uma dependência localizada por detrás do altar-mor. Quanto à abóbada da capela-mor, esta foi decorada por pinturas murais que, em Trompe-l’oeil, pretendem reproduzir o Firmamento onde vários anjos ostentam os instrumentos da Paixão, enquanto que, ao centro, outros dois adoram o Santíssimo em exposição.
Por fim, uma última palavra deve ser dirigida a respeito do revestimento azulejar que adorna este templo. De acordo com o volume Tesouros Artísticos de Portugal, editado em 1976 pelas Selecções Reader’s Digest, tal revestimento seria do tipo enxaquetado, constituído por azulejos azuis e brancos do século XVII.
Actualmente, tais azulejos foram substituídos por outros, de produção industrial e reduzida importância histórica e artística, que em nada se assemelham aos exemplares que, em tempos, revestiram o interior deste templo.
Para agravar a situação, as obras de remodelação realizadas no ano de 2002, a pedido do pároco que então exercia os serviços litúrgicos nesta freguesia, não contaram com qualquer tipo de autorização por parte da Comissão de Arte Sacra da Diocese de Coimbra.
Não sendo este templo classificado, cabe à Comissão de Arte Sacra a total responsabilidade na aprovação de qualquer intervenção a realizar sobre o património religioso existente na região pastoral de Coimbra. Pelo que consegui constatar, a referida Comissão apenas ficou a conhecer o sucedido após a realização das obras na igreja matriz de Igreja Nova do Sobral, e nada sabe acerca do património azulejar outrora existente neste templo.
Conclusão: apesar de não terem sido encontrados documentos fotográficos que testemunhassem o interior desta igreja antes das intervenções de 2002, quer-me parecer que este em muito se encontra desvirtuado do seu aspecto original.
De acordo com o Inventário Artístico de Portugal, conserva-se no Presbitério uma cadeira de braços, do século XVIII, com fundo e espalda de couro lavrados, com ornamentos e um escudo de fantasia.

Estado de Conservação Edifício reabilitado, que goza de manutenção regular, pelo que, aparentemente, o estado de conservação do imóvel e do correspondente património integrado revela-se estabilizado.

Grau 4 - Edifício reabilitado ou reconstruído.
 
Intervenções Realizadas Edifíco remodelado no ano de 1894 e no ano de 2002.
 
 

Bibliografia
 
ALMEIDA; Dr. José António Ferreira de (Coord.); Tesouros Artísticos de Portugal; Lisboa; Selecções do Reader’s Digest; 1976; página 303

CARDOSO; Padre Luis; Diccionario Geografico (...); 44 Volumes; Biblioteca Real; 1758-1832; Volume 42; Nº 420; Fólio 261

COSTA; Padre António Carvalho da; Corografia Portugueza (...); Tomo III; Lisboa; Oficina Real Deslandesiana; 1712; Fólios

LEAL; Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho; Portugal Antigo e Moderno (...); 11 Volumes; Lisboa; Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia , 1873 a 1882; Volume 3; Página 7

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 43 e 44