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Igreja Matriz de São Silvestre dos Chãos

 
 
 
Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Igreja
 
Localização Chãos
 

Especialista Dr.ª Ana Torrejais
 
Morada Freguesia de Chãos
 
Referência a_Chãos_17
 
Propriedade Bispado de Coimbra

Enquadramento A Igreja de São Silvestre goza de um enquadramento rural, sendo o espaço envolvente ocupado por um amplo largo murado, no qual se tem por costume realizar o mercado semanal.

Notícias Históricas De acordo com António Baião, os motivos da fundação da igreja de S. Silvestre dos Chãos são referidos na Visitação das Igrejas da Jurisdição de Tomar, feita pelo Dr. Cristóvão Teixeira em 1554. Acontece que, por esta altura, os moradores dos Bairros, sujeitos à paróquia de Santa Maria de Areias, queixavam-se por não poderem ser socorridos com os Sacramentos da Igreja; para além disso, as crianças corriam grande perigo quando as queriam baptizar, especialmente no Inverno, por causa dos maus caminhos e das ribeiras que tinham de atravessar, enquanto que os defuntos faziam aquela viagem, de que não se volta, sem o conforto da Extrema-Unção. Por tudo isto, pediam os populares uma igreja para o lugar dos Chãos, pedido que o prelado de Tomar veio a consentir, sendo primeiro pároco dela Francisco Manuel.

Descrição Arquitectónica A igreja de São Silvestre dos Chãos, fundada no século XVI, já pouco preserva da sua organização arquitectónica original, resultado das diferentes campanhas de obras executadas em distintas épocas. Não obstante, a planimetria do imóvel obedece a um esquema longitudinal, de nave única, com cobertura em telhado de duas águas.
A fachada principal, muito idêntica à da Matriz do Beco, é igualmente rematada por uma empena triangular. De traço claramente maneirista, apenas ostenta um portal de verga recta, a cujo entablamento se sobrepõe uma grande janela rectangular. Do lado direito foi adossada uma torre sineira, composta por dois registos, sendo o primeiro constituído por dois cunhais e três frestas rectangulares, duas das quais entaipadas, localizadas em cada uma das faces da torre. Da mesma forma se dispõem os quatro campanários que se rasgam no segundo registo da torre, volume que é rematado por meio de uma cobertura piramidal. Para além do portal da fachada principal, existem mais dois, localizados em cada uma das fachadas laterais, aberturas que, juntamente com duas pequenas janelas que se rasgam no corpo central, contribuem para iluminar o templo.
Já pelo interior, e sobre a entrada principal, eleva-se um coro alto, ao qual se acede por meio de um lanço de escadas colocado do lado direito da entrada; no lado oposto, localiza-se o baptistério, dotado da correspondente pia baptismal, constituída por uma taça gomada que se desenvolve a partir de um pequeno pilar assente sobre anel.
O tecto do corpo central é madeirado e de três águas, sendo o pavimento lajeado. O acesso à capela-mor , iluminada por meio de uma fresta lateral que se rasga no lado da Epístola, é feito por intermédio de um arco cruzeiro de volta perfeita e um desnível de três degraus. É este espaço coberto por meio de uma abóbada de caixotões, sendo o pavimento igualmente lajeado. Na parede do lado do Evangelho, rasga-se a entrada de acesso à sacristia.

Património Integrado Existem na igreja matriz dos Chãos vários altares, construídos em épocas distintas e consagrados a diferentes oragos:
Na parede lateral sul e na parede lateral norte, colocados frente a frente, localizam-se dois altares, em tudo idênticos entre si, e consagrados, respectivamente, ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora de Fátima. Os retábulos de ambos os altares, esculpidos em pedra calcária, são constituídos por uma arcaria tripartida em arcos de volta perfeita, que assentam sobre quatro pares de esguios colunelos. Os arcos são sobrepujados por frontões, sendo o central de flecha mais elevada que os laterais. No altar dedicado ao Sagrado Coração de Jesus foram esculpidos, em alto relevo e nos tímpanos da arcaria do retábulo, dois corações trespassados que ladeiam a imagem de uma pequena flor. Neste altar, acompanhando a imagem do orago principal, existem duas imagens quinhentistas de produção popular, representativas de Santo Antão (0.700m altura) e de uma Virgem, com uma pêra na mão e o Menino ao colo (0.750m altura). No altar oposto, destaca-se a imagem de Santa Filomena, e uma escultura quinhentista de São Silvestre (0.715m altura), vestido como Papa e ostentando a teara Tri-Regnum.
No arco cruzeiro existem ainda outros dois altares, ocupados por retábulos executados em talha policromada. O do lado do Evangelho é consagrado a Nossa Senhora com o Menino, enquanto que o do lado da Epístola é dedicado a Santo António com o Menino e a São Sebastião.
Por sua vez, a capela-mor é constituída por um altar de talha policromada, de execução idêntica à dos retábulos do arco cruzeiro, cujo nicho central é ocupado por uma imagem de Cristo Crucificado. As paredes laterais deste espaço foram revestidas, até à sanca, por um silhar de azulejos de produção industrial, executados em tons de azul e branco e obedecendo a um módulo de repetição de 2X2/2. Também o corpo central do templo foi recoberto por um silhar azulejar de 8 unidades de altura, mas cujos elementos foram antes executados em tons de azul, branco e amarelo torrado.
Na sala de sacristia, conserva-se um pequeno armário de volantes lisos e um lavatório de cantaria lavrada em alto relevo, na qual se encontra representada a cruz de Cristo ladeada por dois ciprestes. Destaca-se ainda, neste espaço, um altar consagrado a Nossa Senhora do Calvário (0.780m altura), cujo orago se insere num pequeno nicho rasgado na parede frontal. Este nicho, trabalhado em pedra, foi recentemente pintado com tinta de óleo; não obstante, é perceptível o requinte com que a cantaria foi talhada: obra executada em arco de volta perfeita, em cujos bordos foram esculpidos losangos preenchidos por pequenas flores, apresenta abóbada talhada em forma de concha e, nos tímpanos do arco, foram igualmente esculpidos dois elementos florais. Todas estas obras me pareceram, em minha opinião, coetâneas da época de construção do templo.
Na sacristia guarda-se ainda um Prato de Oferta (0.410m diâmetro), de latão, do século XVI, com a inscrição costumada e, ao centro, dois homens trajados à maneira do quinhentismo, relevados, transportando um grande cacho de uvas.

Estado de Conservação Edifício reabilitado, com manutenção regular. O estado de conservação da imaginária mais antiga carece de observação atenta, pois muitas destas esculturas evidenciam danos preocupantes ao nível da superfície policroma, detectando-se algumas situações de destacamento e desgaste.
 
Grau 4 - Edifício reabilitado ou reconstruído.
 
 

Bibliografia
 
ALMEIDA; Dr. José António Ferreira de (Coord.); Tesouros Artísticos de Portugal; Lisboa; Selecções do Reader’s Digest; 1976; página 197 e 198

BAIÃO; António; Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere; Imprensa Nacional; Lisboa; 1918; páginas 70

CARDOSO; Padre Luis; Diccionario Geografico (...); 44 Volumes; Biblioteca Real; 1758-1832; Volume 36, Nº 52j, Fólio 335 e Volume 42, Nº 58, Fólio 37

COSTA; Padre António Carvalho da; Corografia Portugueza (...); Tomo III; Lisboa; Oficina Real Deslandesiana; 1712; Fólios

LEAL; Augusto Soares d’ Azevedo Barbosa de Pinho; Portugal Antigo e Moderno (...); 11 Volumes; Lisboa; Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia , 1873 a 1882; 2º Volume; Página 279

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 40-41