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Vila e Freguesia de Ferreira do Zêzere

 
Vila e Freguesia de Ferreira do Zêzere
 
 
História

Em 1190 D. Sancho I doou a sua quinta de Orjais a Pedro Ferreira, besteiro do rei e homem de modesta condição, que se teria distinguido por actos de bravura e heroísmo na defesa de Montemor-o-Novo. Porém, por volta de 1206, parte desta quinta seria adquirida por Pedro Alvo, pretor de Tomar, que aí vem a fundar a povoação de Águas Belas.

Em 1222, tendo alargado consideravelmente o seu território rústico por meio de compras e usurpações, Pedro Ferreira lançaria as bases de um pequeno concelho rural, dando carta de foral aos povoadores da sua herdade de Vila Ferreira. Posteriormente, esta Vila foi unida, no ano de 1285, a um reguengo do termo de Abrantes, constituindo-se um concelho com termo em Villarey, a que ficou subordinado o de Ferreira. O conjunto, por volta de 1306, seria doado aos Templários e, posteriormente, em 1321, após a fundação da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, vem a constituir uma das novas comendas instituídas no termo de Tomar.

A 12 de Março de 1513, o rei D. Manuel atribui Foral Novo à Vila de Ferreira, que assim se vê desmembrada de Vila de Rei, passando a deter, a partir de então, forca e pelourinho próprios. Por esta altura, era comendador de Ferreira o Frei Gonçalo da Silva, ao qual se seguiria, em 1551, Manuel de Abreu de Sousa e depois o comendador João Mendes de Carvalho, o qual viria a falecer a 17 de Setembro de 1615. A partir de 1715, a comenda de Ferreira passa a pertencer ao Conde de Sarzedas e, muito mais tarde, já em 1820, é eleito como último comendador da Vila o Conde de Almada.

Na sequência das reformas administrativas de Passos Manuel, a partir de 6 de Novembro de 1836 o concelho de Ferreira do Zêzere passa a englobar os termos das antigas freguesias de Águas Belas, Areias, Beco, Chãos, Dornes, Paio Mendes e Pias.
 

Etimologia

António Baião, no seu artigo O meu querido e saudoso Zêzere, inserido na Revista Ribatejo Nº 1, ano de 1949, refere o seguinte: “Certo padre de Orjais, freguesia sua limítrofe, diz haver tradição de que algum dia se chamara o ribeiro Tigre; outros da mesma época, 1758, como o da Covilhã e do Teixoso, dão-lhe origem aristocrática, escrevendo este último: o Zêzere, que de Júlio César tomou o nome, quae fluvius Cesaris charus. O pároco de Janeiro de Baixo escreve: Chama-se Zêzere por nele ter habitado Cesar quid quid sit. Mas não são os bons dos padres autoridade em etimologia, o que já não acontece com o Dr. David Lopes (Revista Lusitana volume XXIV, pág. 270) que diz derivar do árabe Odizezar, que significa rio da cigarra, ou melhor, a forma Ozezar aparece num foral do castelo que existiu nas margens do Zêzere”.

Diz-nos ainda António Baião no mesmo artigo que há também quem o suponha derivado de uma árvore – Azereira – prunus lusitanica – que abunda nas margens do rio.

 
Lugares

Acervo Natural

Pinho Leal (1873-1882) descreve a freguesia de Ferreira do Zêzere da seguinte maneira: “É terra muito abundante de águas, fértil e sadia. Situada em planície, mas o seu termo do lado do Zêzere é terreno fragoso, com muitas serras de desmedida altura e grandes penhascos. Tem à beira do rio Zêzere um cabeço muito alto, separado dos mais, e nele uma capela, de cantaria lavrada, muito antiga, dedicada a S. Pedro, apóstolo”.

Pontos de Vista: Outeiro da Forca; Penedo do Galo; Pombeira; Castro; Caíns e Valongo

Rios e Ribeiras: Rio Vialongo, que desagua no Castro que, por sua vez, é afluente do Zêzere; Ribeiro do Cubo e Cerejeira, que desagua na Ribeira da Cabrieira, afluente do Zêzere; Ribeira de S. Silvestre e Ribeira dos Carvalhais, que desaguam na Ribeira do Caimo, afluente do Zêzere


Património