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Vila e Freguesia de Dornes

Vila e Freguesia de Dornes

 

 

História

 

A referência mais antiga que a respeito da vila de Dornes encontramos em documentos surge no foral de Arega, que D. Pedro Afonso (filho de el-rei D. Afonso Henriques) atribuiu à referida vila em 1201, e no qual nos aparece entre as testemunhas um Dommus Fiiz prelatus a Dornas. Tal indica que, já naquela época tão recuada, havia uma povoação chamada de Dornas, cujo nome se viria a manter até ao final do século XV.

Um dos primeiros comendadores de Dornes terá sido Frei Rui Guilherme (cc. 1345), seguido de Frei Lopo Bezerra (cc. 1374), Frei Rui Gonçalves de Campos (cc. 1393) e de Rui Peres (princípios do século XV). Em 1453 temos notícia de Dom Frei Gonçalo de Sousa, comendador-mor e responsável pela reedificação da Igreja de Nossa Senhora do Pranto de Dornes, bem como fundação da designada Quinta da Granja, actualmente conhecida por Quinta do Cerquito.

Dornes tinha já, por essa época, uma albergaria e uma praça, onde se realizava toda a casta de compras e vendas, o que na linguagem da época se chamava açougue. No termo de Dornes, os castanheiros, as oliveiras e as vinhas eram grandemente cultivadas, tendo a Ordem de Cristo, entre outras vastas propriedades, três adegas no lugar de Vila Nova, o que evidencia a extensão da sua cultura de vinha. Por sua vez, o regime de propriedade mais comum seria a enfiteuse, manifestada principalmente nos pequenos casais disseminados aqui e além.

Chegam-nos ainda notícias da estrada de Tomar para Dornes, da estrada para Coimbra e da que se dirigia para Figueiró dos Vinhos, demonstrando bem os principais centros urbanos com os quais Dornes mantinha as suas relações comerciais.

Próximo da já referida Quinta da Granja, possuía a Ordem de Cristo uma extensa Mata de castanheiros que, por volta de 1490, detinha tal importância que dela mandavam vir tabuado e madeira para Tomar. Os moradores de Dornes eram então obrigados a trazer os toros até à Serra e, dali para baixo, os moradores das povoações mais próximas da sede da Ordem de Cristo. Na sequência da reforma da Ordem e consequente ampliação do templo tomarense ordenada por D. João III, compraria João de Castilho muita madeira no termo desta comenda.

Dornes conhece Foral Novo a 10 de Novembro de 1513, pertencendo então à correição de Tomar da província da Estremadura. No entanto, a partir de 25 de Maio de 1656, a comenda de Dornes é anexada à Sereníssima Casa do Infantado, passando sucessivamente a sua administração pelas mãos dos vários Infantes da Casa Real, até à extinção deste órgão em 1834.

 

Etimologia

 

Maria Emília Baptista Pereira (1950-1951) refere que “segundo J. da Silveira, Dornes significa, em português arcaico, o mesmo que ola, remoinho de rio. De facto, o rio, naquela região, além de fazer um cotovelo, faz bastantes remoinhos”. Também o Elucidário de Viterbo (1962) ensina que dorneira se refere à “moenga do moinho, em que se deita o grão, que vai caindo para ser moído. O ser antigamente quase do feitio de uma dorna, lhe rendeu aquele nome”.

Mas a etimologia da palavra Dornes aparece também associada às próprias dornas, que desde tempos recuados se fariam nesta região, dada a grande quantidade de vinhas e adegas que aqui detinha a Ordem de Cristo.

 

Lugares

 

 

Acervo Natural

 

Pinho Leal (1873-1882) descreve a freguesia de Dornes da seguinte maneira: “A vila está na encosta deste rochedo, situada entre altas serras silvestres, o que a faz sobremaneira triste. Tem quatro ruas (pequenas) em forma de cruz, de modo que, quem está no centro as vê todas. Seu território produz poucos cereais, mas é abundante de excelentes fructas, madeiras, gado, caça, azeite e muito vinho”.

 

Pontos de Vista: Serra da Junqueira e o planalto do lugar do Carril

 

Rios e Ribeiras: Rio Zêzere e Ribeiras de Pontes, S. Guilherme, Barrada, Rio Fundeiro, Vale Serrão e Rio Cimeiro

 
 
Património