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Capela de São Tomé na Portela de Vila Verde, Areias

 
 
 
Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Capelas
 
Localização Areias
 

Especialista Dr.ª Ana Torrejais
 
Morada Freguesia de Areias, lugar de Portela de Vila Verde

Referência a_Areias_11
 
Propriedade Bispado de Coimbra

Enquadramento Localiza-se a capela de São Tomé no centro do lugar, sendo rodeada por casario. No entanto, também a área de envolvência deste templo não foi respeitada, por ter sido construído, paredes meias com as da capelinha, o centro de convívio de Portela de Vila Verde, no qual costumam ser realizadas as festas anuais em honra do santo padroeiro. Para além disso, também o enquadramento deste templo sofreu alterações, após o alargamento e subida da estrada alcatroada que lhe é contígua.

Notícias Históricas António Baião refere que o Dr. Pedro Álvares Seco, no seu Treslado do livro das comendas da Ordem de Nosso Senhor Jezus Christo (terceiro quartel do século XVI) cita a ermida de S. Tomé, na serra acima de Vila Verde, a qual se encontrava, por essa altura, sem portas. Também o padre António Carvalho da Costa, na sua Corografia Portugueza, se reporta à capela de São Tomé.

Descrição Arquitectónica A capela de São Tomé de Portela de Vila Verde trata-se de um edifício reabilitado que pouco preservou da primitiva construção. Não obstante, o templo conserva a sua planta longitudinal e nave única, sendo coberto por um telhado de duas águas. Contudo, o acesso ao interior não é realizado pela fachada principal, desprovida de entrada e na qual existe apenas uma pequena janela, mas antes por uma porta na lateral norte, ao qual se acede por meio de um lanço de escadas. Na minha opinião, este porta estaria originalmente localizada na fachada principal, acabando por ser deslocada aquando do alargamento e subida da estrada.
Por sua vez, a fachada principal termina numa empena triangular idêntica à da capela da Avecasta, na qual foi inserido o campanário, a que o relógio electrónico subtraiu o som do sino tradicional. Ladeiam esta empena, encimada pela cruz de Cristo, dois pináculos, que igualmente terminam na cruz do Salvador.
Em cada uma das laterais, e sensivelmente a meio do corpo da capela, existe ainda uma pequena fresta que, no entanto, é insuficiente para conferir alguma luminosidade ao interior do templo. Já na lateral sul, o volume saliente da sala de sacristia permanece oculto perante o “peso” construtivo do centro de convívio do lugar que, literalmente, foi adossado ao pequeno templo.
Pelo interior, o tecto é, em toda a sua extensão, madeirado e de três planos. O pavimento é recoberto por meio de mosaico cerâmico, existindo ao centro um passadiço de cantaria que se prolonga desde a fachada principal até ao altar-mor. A passagem do corpo central do templo para a capela-mor é realizada por meio de um arco cruzeiro de volta perfeita, mas este pouco saliente relativamente aos das capelinhas já estudadas até agora.

Património Integrado Ainda pelo exterior deste imóvel e junto da fachada nascente, mantém-se, sobre um pequeno muro, um nicho antigo esculpido em pedra, o qual conserva ainda, pelo interior, vestígios de policromia azul. Os habitantes locais desconhecem a origem desta peça e chamam-lhe, simplesmente, “a pedra”. Na opinião de Ana Torrejais, pertenceria este nicho ao primitivo templo, acabando por ser removido aquando das obras de remodelação do edifício, ou, inclusivamente, poderá ser proveniente de uma construção religiosa entretanto arruinada.
No interior da capela de São Tomé, a abundante imaginária dispersa-se pela capela-mor e sacristia. Na capela-mor, as imagens são, na sua grande maioria, de recente produção: S. Tomé, o padroeiro, localizado no nicho central, é ladeado pelas imagens de S. Bento (?), o Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora de Fátima e S. João Evangelista, assentes sobre mísulas. Não obstante, é também aqui que se preserva, no interior de uma vitrina, a imagem mais importante do conjunto: um S. Marcos (1.100m altura), executado em madeira policromada e datado do final do século XIV, o qual conserva, à altura do peito, um disco relicário hoje vazio. É esta escultura de grandes dimensões e muito me custa a crer que pertencesse originalmente a este templo. Já na sacristia, e também no interior de uma vitrina, conserva-se a imaginária mais antiga, toda ela policromada e esculpida em pedra: o apóstolo S. Pedro (?), Santo António com o Menino e Santa Eufémia (0.510m altura), esta última proveniente de uma extinta capela de invocação a este orago, outrora existente no lugar da Portela de Vila Verde. O interior desta capela foi recoberto, numa altura de 8 unidades, por um recente silhar de azulejos de produção industrial, executado em tons de azul e branco e que obedece a um módulo de repetição de 2X2/2. Na capela-mor, o mesmo silhar eleva-se à altura da empena da porta da sacristia.
 
Estado de Conservação Foi este edifício reabilitado e mantém-se uma manutenção regular. No entanto, o estado de conservação da imaginária mais antiga carece de ser estabilizado, para além de ser necessária intervenção urgente nestas imagens.
 
Classificação: Grau 4 - Edifício reabilitado ou reconstruído.
 
 
 
Bibliografia
 
ALMEIDA; Dr. José António Ferreira de (Coord.); Tesouros Artísticos de Portugal; Lisboa; Selecções do Reader’s Digest; 1976; página 100

BAIÃO; António; Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere; Imprensa Nacional; Lisboa; 1918; página 77

COSTA; Padre António Carvalho da; Corografia Portugueza (...); Tomo III; Lisboa; Oficina Real Deslandesiana; 1712; Fólios

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 38