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Capela de São Saturnino na Serra de São Saturnino, Areias

 
 
 
Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Capelas
 
Localização Areias
 
 
Especialista Dr.ª Ana Torrejais
 
Morada Freguesia de Areias, Serra de São Saturnino

Referência a_Areias_12
 
Propriedade Bispado de Coimbra

Enquadramento Localizado no cimo da serra de São Saturnino, este templo apresenta-se aos olhos do viandante como um verdadeiro ermitério, ao qual apenas se acede por meio de um caminho florestal em terra batida.
Próximo da capelinha existe um tanque de abastecimento hidráulico, pronto a ser utilizado pelos corpos de combate ao incêndio em caso de necessidade.
 
Notícias Históricas António Baião refere que o Dr. Pedro Álvares Seco, no seu Treslado do livro das comendas da Ordem de Nosso Senhor Jezus Christo (terceiro quartel do século XVI) cita a ermida de São Sodorninho, acima das Telhadas, no cimo da serra, “em que ha uma confraria com muitos bens”.
Por sua vez, em Excursão Extremenha de Tomar a Dornes (1895), José Leite de Vasconcelos diz o seguinte: “como ao longe se avistasse a capela de S. Saturnino (vulgo Sadurninho), que fica ao pé do lugar de Menexas, na serra das Areias, fiz perguntas a seu respeito, e ouvi falar de quem está doente de sezões (?) rouba três telhas a qualquer casa, e vai pô-las ao pé do santo, cuidando que sara; chamam-lhe por isso o ladrão das telhas. É preciso que as telhas sejam furtadas, e sem o dono saber; se este souber, ou se as telhas forem dadas ao doente, o rito de nada serve”.
Actualmente, os populares prestam culto à imagem para que ela proteja a serra do perigo do incêndio. Diz-se que, enquanto a capelinha e o santo lá permanecerem, a serra “do Saturnino” não arderá. Na fachada principal do templo existe, do lado direito, uma pequena lápide, na qual se conserva a seguinte inscrição: «Restaurada pelos filhos da freguesia de Areias em 17 / 6 / 1973

Descrição Arquitectónica Edifício de planta longitudinal e nave única, com cobertura em telhado de duas águas, na junção das quais se eleva a cruz de Cristo. Apresenta linhas arquitectónicas muito simples e aberturas para o exterior reduzidas ao essencial; de facto, a iluminação apenas se processa a partir de uma única fresta em cada lateral do templo.
Na fachada sul, salienta-se o corpo da sacristia, a qual possui acesso pelo exterior. Já a fachada principal é tão somente constituída pela porta, terminando numa empena triangular desprovida de campanário.
Ao entrar-se no templo, não se acede directamente à nave central, pois esta é antecedida por uma câmara, espécie de esonártex, a qual se demarca do corpo da capela por meio de uma parede divisória dotada de porta ladeada por duas pequenas janelas quadrangulares. Na minha opinião, tal parede, que é de grande espessura, corresponde ao primitivo limite da fachada principal. Já na nave central, repara-se no claro despojamento decorativo deste templo. O tecto, de três planos, não recebeu qualquer madeiramento; por sua vez, o pavimento é recoberto em mosaico cerâmico, mantendo-se o frequente passadiço central lajeado, que se prolonga desde a entrada até à capela-mor. A passagem para este espaço é feita através de um arco cruzeiro de volta perfeita encimado pela cruz de Cristo, cuja cantaria conserva vestígios de policromia avermelhada. Na capela-mor o pavimento é totalmente lajeado e o tecto, igualmente de três planos, mantém-se não madeirado.

Património Integrado O espólio deste templo resume-se à imagem de São Saturnino, cópia do orago original, já que o primeiro, exemplar quinhentista esculpido em pedra, foi furtado. Insere-se o padroeiro num pequeno nicho esculpido em pedra, em cuja superfície se conservam ainda vestígios de policromia avermelhada, idêntica à que se encontra na cantaria do arco cruzeiro.

Estado de Conservação Contrariamente à maioria dos edifícios religiosos do concelho de Ferreira do Zêzere, esta capelinha é das poucas que não goza de manutenção regular, em virtude do seu afastamento relativamente ao povoado. Esta situação, que obviamente compromete o estado de conservação do imóvel e seu património integrado, é agravada pela baixa luminosidade, reduzida temperatura e grande humidade que se concentram no interior do templo, resultado das insuficientes aberturas para o exterior.
 
Classificação: Grau 3 - Edifício que denuncia um estado de conservação razoável.

Intervenções Realizadas Templo reabilitado no ano de 1973.
 
 

Bibliografia
 
BAIÃO; António; Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere; Imprensa Nacional; Lisboa; 1918; página 77

COSTA; Padre António Carvalho da; Corografia Portugueza (...); Tomo III; Lisboa; Oficina Real Deslandesiana; 1712; Fólios

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 39