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Capela de Nossa Senhora do Ó no Sobral, Igreja Nova do Sobral

 
 

Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Capelas
 
Localização Igreja Nova
 
Especialista Dr.ª Ana Torrejais
 
Morada Freguesia de Igreja Nova do Sobral, Lugar do Sobral
 

Referência a_Sobral_38
 
Propriedade Bispado de Coimbra
 
Enquadramento A capela de Nossa Senhora do Ó ergue-se sobre um largo murado, no centro do lugar do Sobral. Perto foi edificado um telheiro que serve de apoio aos festejos anuais em honra do orago.

Notícias Históricas De acordo com o Boletim da Junta de Província do Ribatejo (Nº1, Anos de 1937-1940), data de 1608 o mais antigo assento de casamento existente no cartório paroquial de Igreja Nova do Sobral. Este refere-se a uma cerimónia efectuada à porta da ermida de Nossa Senhora do Ó ou da Expectação, realizada a 28 de Setembro desse ano. Esta capelinha é ainda citada na Corografia Portugueza pelo padre António Carvalho da Costa.
 
Descrição Arquitectónica A capelinha de Nossa Senhora do Ó trata-se de um edifício reabilitado, que obceca a uma planimetria longitudinal, de nave única, dotada de cobertura em telhado de duas águas. Do corpo central destaca-se o volume correspondente à capela-mor, mais baixa e estreita, mas igualmente dotada de cobertura em telhado de duas águas e de uma pequena janela quadrada. A frontaria é composta por uma simples porta rectangular, encimada por uma fresta cruciforme. Do lado esquerdo da empena eleva-se um campanário. Por sua vez, também na lateral norte se rasga uma porta encimada por uma cruz de Cristo embutida na parede.
Já o interior é de cobertura madeirada em três planos, sendo o pavimento, anteriormente lajeado, agora recoberto por mosaico cerâmico. A capela-mor demarca-se do corpo central do templo por meio de um arco cruzeiro de volta perfeita.

Património Integrado Pelo interior, as paredes da capelinha de Nossa Senhora do Ó foram recentemente recobertas por um silhar de azulejos de produção industrial, o qual reveste os muros numa altura de 11 unidades, obedecendo a um módulo de repetição de 2X2/2. Porém, na nave central e na capela-mor, foram utilizados dois padrões distintos que, no primeiro espaço, recorre aos tons de azul e branco e, no segundo, ao branco, azul e amarelo.
A imaginária concentra-se na capela-mor. Aqui, na parede frontal e sobre o altar, foi adossado um nicho de claro lavor renascentista, que ainda preserva vestígios de policromia avermelhada. Na cantaria da base e das pilastras, repetem-se as flores circunscritas, os losangos e os corações esculpidos em alto relevo; por sua vez, no friso, a par dos elementos fitomórficos, surgem esferas e filacteras, enquanto que nos tímpanos aparecem dois medalhões. Ao espaço interior do nicho, decorado por uma abóbada raiada, foi adaptada uma vitrina, na qual se conserva a imagem padroeira: Nossa Senhora da Expectação que, ao contrário do que se poderia supor, não ostenta nenhum ventre proeminente.
Junto do orago conserva-se uma imagem alusiva à Santíssima Trindade (0.895m altura), obra executada em madeira policromada e datada da segunda metade do século XVII.

Estado de Conservação Edifício com manutenção regular, pelo que, aparentemente, o estado de conservação do imóvel e do correspondente património integrado revela-se estabilizado.
 
Grau 4 - Edifício reabilitado ou reconstruído.
 
 
 
Bibliografia
 
ALMEIDA; Dr. José António Ferreira de (Coord.); Tesouros Artísticos de Portugal; Lisboa; Selecções do Reader’s Digest; 1976; página 303

COSTA; Padre António Carvalho da; Corografia Portugueza (...); Tomo III; Lisboa; Oficina Real Deslandesiana; 1712; Fólios

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 44