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Capela de Nossa Senhora da Purificação na Frazoeira, Dornes

 
 

Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Capelas

Localização Dornes

Especialista Dr.ª Ana Torrejais

Morada Freguesia de Dornes, Lugar da Frazoeira
 

Referência a_Dornes_27

Propriedade Bispado de Coimbra
 
Enquadramento A capela de Nossa Senhora da Purificação, localiza-se no centro do povoado da Frazoeira, sendo rodeada por um amplo adro, no qual foi construído um coreto e um telheiro. Perto da lateral sul do templo, embora não respeitando a área de envolvência do mesmo, foi fundada a Associação Recreativa de Melhoramentos de Dornes
 
Notícias Históricas De acordo com António Baião, a capela de Nossa Senhora da Purificação, sita no lugar da Frazoeira, foi fundada nos finais do século XVII por Francisco Saraiva de Matos, cavaleiro professo de Cristo. Para além disso, este templo é citado na Corografia Portugueza do padre António Carvalho da Costa e nas Memórias Paroquiais de 1758.
 
Descrição Arquitectónica A capela de Nossa Senhora da Purificação trata-se de um templo de planta longitudinal de dimensões consideráveis, mais próximo, por esta razão e pela beleza da sua concepção arquitectónica, de uma igreja paroquial do que das pequeninas capelas que, por todo o concelho de Ferreira do Zêzere, se dispersam pelos vários povoados.
A fachada principal é constituída por um magnífico portal de lintel curvo, em cuja chave foram esculpidas duas conchas sobrepostas. Sobre o pórtico de entrada eleva-se um frontão curvilíneo, de claro barroquismo, que no tímpano ostenta uma insígnia coroada alusiva a Virgem Maria (letra M a que se sobrepõe um V invertido). Ladeiam o portal principal duas janelas rectangulares, igualmente de lintel curvo; por sua vez, sobre este rasga-se um janelão de frontão interrompido.
Termina a fachada, delimitada por cunhais, numa empena curvilínea, ladeada por um pináculo (lado esquerdo) e por um pequeno campanário (lado direito), enquanto que ao centro se ergue uma cruz de Cristo.
É necessário referir, porém, que o campanário que hoje aí se encontra não corresponde à obra original, a qual se conserva junto do portal lateral que se abre na fachada sul do templo. Por sua vez, em cada uma das laterais e perto da cobertura, que é em telhado de duas águas, rasgam-se duas janelas idênticas às que se encontram na fachada principal.
Pelo interior, de nave única, ergue-se sobre a entrada principal um coro-alto, enquanto que, na parede lateral norte, foi adossado um púlpito, obra executada em madeira e decorada por meio de marmoreados, cuja taça se ergue a partir de uma base pétrea, à qual se acede por meio de um lanço de escadas. Já o acesso à capela-mor é feito por meio de um arco cruzeiro de volta perfeita, em cujo fecho foi esculpida uma concha que ostenta a insígnia de Virgem Maria. A sala de sacristia localiza-se por detrás do altar-mor. Este espaço é coberto por meio de abóbada, enquanto que a cobertura da nave central, de três planos, é madeirada em caixotões; o pavimento é lajeado em toda a extensão do templo.
 
Património Integrado Do interior da capela de Nossa Senhora da Purificação destaca-se, em primeiro lugar, a pintura da cobertura da nave central. Realizada a óleo sobre tábua, em cada um dos quinze compartimentos foi representada uma moldura barroca, semelhante à esculpida na cantaria do frontão que sobrepuja o pórtico principal. Por sua vez, no interior de cada uma dessas molduras da cobertura, aparece uma inscrição latina alusiva às várias virtudes de Nossa Senhora (símbolos da Ladainha).
Os mesmos elementos repetem-se nas pinturas da abóbada da capela-mor. Ao centro, surge novamente representada a insígnia de Nossa Senhora, delimitada por uma moldura idêntica às até então referidas. É este motivo central delimitado por outros quatro elementos associados ao culto de Nossa Senhora: o Sol, a Lua, a Torre e a Estrela de seis pontas.
O altar-mor é em talha dourada e policromada setecentista, através do qual se acede, por meio de duas portas, à sala de sacristia. Neste altar estão presentes várias imagens, igualmente datadas da centúria setecentista, e todas elas executadas em madeira policromada. No nicho central preserva-se a imagem padroeira de Nossa Senhora da Purificação, a qual representa a Virgem, ostentando nos braços o Menino que beija uma pequenina pomba branca. É a padroeira ladeada por São Joaquim (lado do Evangelho) e por Santa Ana (lado da Epístola), pais da Virgem Maria.
 
Estado de Conservação Edifício reabilitado, que goza de manutenção regular. Porém, a capela de Nossa Senhora da Purificação apresenta alguns problemas relacionados com a infiltração de humidades que se processa, quer a partir da cobertura, quer por ascensão capilar, situação que coloca em risco o estado de conservação do imóvel e seu património integrado.
Exteriormente, são visíveis várias zonas enegrecidas decorrentes da escorrência de águas pluviais, bem como da ascensão capilar que se processa a partir do solo. Pelo interior, os danos concentram-se sobretudo na cobertura, sendo visíveis várias manchas de humidade que comprometem os registos pictóricos do madeiramento. É também a elevada concentração de humidades responsável pelas situações de destacamento detectadas ao nível da camada policroma da talha e imaginária do retábulo-mor. Assim sendo, é imperativo assegurar a estabilidade micro climática do interior do templo, o que passa, em primeiro lugar, por uma revisão do sistema de cobertura, de forma a corrigir os níveis de humidade que se concentram na estrutura. Só desta forma, o estado de conservação do imóvel e correspondente património integrado pode ser assegurado.

Grau 3 - Edifício que denuncia um estado de conservação razoável.
 
 

Bibliografia
 
ALMEIDA; Dr. José António Ferreira de (Coord.); Tesouros Artísticos de Portugal; Lisboa; Selecções do Reader’s Digest; 1976; página 229

BAIÃO; António; Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere; Imprensa Nacional; Lisboa; 1918; página 162

CARDOSO; Padre Luis; Diccionario Geografico (...); 44 Volumes; Biblioteca Real; 1758-1832; Volume 13; Nº 31; Fólios 185 a 190

COSTA; Padre António Carvalho da; Corografia Portugueza (...); Tomo III; Lisboa; Oficina Real Deslandesiana; 1712; Fólios

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 43