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Capela de Nossa Senhora da Penha de França da Quinta da Corujeira, Beco

 
 

Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Conjuntos Edificados

Localização Beco
 

Especialista Dr.ª Ana Torrejais
 
Morada Freguesia do Beco, Quinta da Corujeira
 
Referência co_Beco_05
 
Propriedade Particular
 
Enquadramento Quinta da Corujeira. Edifício independente da construção habitacional, em torno do qual se desenvolve um pequeno adro murado e sobreelevado.
 
Notícias Históricas Templo erigido sob o patrocínio de José Cotrim, no ano de 1773. Segundo António Baião, e por análise do testamento de Luis Cotrim, datado de 19 de Junho de 1854, verifica-se que por esta altura pertenciam à capela da Corujeira um quintal pegado à mesma, um foro de 4 alqueires e meio de trigo e uma galinha e ainda um imposto em casas e terra no Val do Rossio. Interessante é também a informação que consta do testamento de D. Bernardina Angélica Cotrim, viúva, e de Joaquim Cotrim de Sant’Ana: «Deixamos a Maria, filha de Joaquim Simões, da Martimbraz, a nossa Capela de Nossa Senhora da Penha de França, sita no lugar da Corugeira, com o seu património que consta da quinta pegada a ela e um foro de casas e terra de pão e soutos no Val do Rossio, com a obrigação de ornar a dita capela ou ermida e com declaração de que se a dita legatária não casar à vontade de seu pai ou de sua mãe, em tal caso irá este legado a quem directo pertencer da família dos Cotrins que a edificaram».
 
Descrição Arquitectónica A capelinha de Nossa Senhora da Penha de França, hoje bastante degradada, apresenta-se como um edifício de planta longitudinal e nave única, de cobertura em telhado de duas águas que, a qualquer momento, ameaçam ruir. Do lado direito do corpo central do templo, salienta-se o volume de uma sala de sacristia, provida de acesso pelo exterior.
É a fachada principal constituída por uma porta de lintel curvo, antecedida por alguns degraus Sobrepõe-se-lhe um registo azulejar datado de 1773, onde figura a santa de invocação desta pequena ermida particular. A imagem, realizada em tons de azul, é envolta por uma moldura claramente barroca, completa por concheados e motivos vegetalistas executados em azul, verde, amarelo e avinhado. Neste registo pode ler-se o seguinte: “Esta irmida hé de N. S. de Penha de Fransa e do Senhor dos Emfermos que mandou fazer Joze Cotrim no anno 1773”.
Na fachada do mesmo templo encontra-se ainda presente um azulejo de figura avulsa, de características devocionais, a que comummente se dá o nome de Alminhas, por representar um fiel envolto pelas chamas do purgatório. A imagem, realizada a traço solto e em tons de azul, é acompanhada pela sigla PNAM, isto é, Pai Nosso Avé Maria.
Na empena foi rasgado um pequeno óculo, hoje entaipado, enquanto que o frontão é encimado por uma Cruz de Cristo (ao centro), um campanário (do lado esquerdo, que curiosamente se volta a Norte) e um fogaréu, elementos de grandes dimensões e de talhe grosseiro que chocam com a singeleza das linhas arquitectónicas da estrutura do templo.
 
Património Integrado Pelo interior, o templo é de nave única, não existindo qualquer espaço reservado à capela-mor; o pavimento é lajeado e o tecto plano, não madeirado. Na parede frontal, preserva-se um altar de talha policromada barroca, igualmente bastante degradado, uma estante de missal e um livro de coro. Em tempos, a ornar a mesa de altar, esteve um delicado grupo escultórico de madeira, setecentista, representando a Sagrada Família.
 
Estado de Conservação A capelinha de Nossa Senhora da Penha de França denuncia um estado de conservação muito grave, que ameaça não só a estrutura do imóvel, mas igualmente o reduzido património remanescente no seu interior. A cobertura, que corajosamente tem resistido aos Invernos mais rigorosos, não impede a concentração de humidades que ameaçam a ruína das paredes. Pelo interior, este efeito acentua-se e combina-se com a acumulação de poeiras e outros detritos.

Grau 2 - Edifício que se apresenta bastante degradado, sendo o seu estado de conservação preocupante.
 
 
Bibliografia
 
ALMEIDA; Dr. José António Ferreira de (Coord.); Tesouros Artísticos de Portugal; Lisboa; Selecções do Reader’s Digest; 1976; página 134

BAIÃO; António; Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere; Imprensa Nacional; Lisboa; 1918; página 232 e notas finais (nº 57)

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 40