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Capela de Nossa Senhora da Orada na Senhora da Orada, Beco

 
 
 
Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Capelas
 
Localização
Beco
 
Especialista Dr.ª
Ana Torrejais
 
Morada Freguesia do
Beco, Lugar da Senhora da Orada
 
 
Referência a_Beco_16

Propriedade
Bispado de Coimbra

Enquadramento A capela de Nossa Senhora da Orada goza de enquadramento rural, sendo o edifício rodeado por um amplo adro murado. Por sua vez, a entrada principal é antecedida por um lanço de escadas.

Notícias Históricas O culto da Senhora da Orada trata-se de um dos mais antigos da Europa e terá sido importado de França. De acordo com António Baião, data de 1536 a licença concedida por D. João III aos moradores de Alvaiázere, Puços e Arega para festejarem a Senhora da Orada. No dia da festa, tinha lugar um jantar para os pobres, que era realizado com as esmolas cedidas pela Confraria. Contudo, como esta festa degenerava normalmente em excessos, veio a ser proibida.
Já no ano de
1712 corria a tradição de ser a capela da Sr.ª da Orada anterior à Igreja do Beco. Nela se enterravam os finados que, pela grande distância a que estavam de Dornes, ficavam muitas vezes sem sepultura. E, segundo parece, ao lado da capela foram mantidas umas casitas, onde se abrigavam os eremitas.
Também a História Eclesiástica de Coimbra se refere a esta
capelinha: «A ermida da Senhora da Orada desta freguesia, está junto de um lugar que se chama Ventoso, junto da Estrada Real, e é de Nossa Senhora muito milagrosa e de grande comoção de gente que acha crer, valendo-se do seu patrocínio.»
Na fachada principal do
templo, conservam-se várias lápides com inscrições referentes a datas de intervenção na estrutura do imóvel, nomeadamente: 1852, 1985 a 1986 e 1904.

Descrição Arquitectónica O culto da Senhora da Orada trata-se de um dos mais antigos da Europa e terá sido importado de França. Para Frei Agostinho de Santa Maria «este titulo da Orada he derivado da frequente devoção com que os fieis orão, pedem & rogão à Senhora pelo remedio de suas necessidades, & que da frequencia com que a oravão à Senhora se lhe déra o titulo & invocação da Orada, que he o mesmo que a Senhora aonde se costumava orar & ter oração».
De acordo com
António Baião, data de 1536 a licença concedida por D. João III aos moradores de Alvaiázere, Puços e Arega para festejarem a Senhora da Orada. No dia da festa, tinha lugar um jantar para os pobres, que era realizado com as esmolas cedidas pela Confraria. Contudo, como esta festa degenerava normalmente em excessos, veio a ser proibida.
Já no ano de
1712 corria a tradição de ser a capela da Sr.ª da Orada anterior à Igreja do Beco. Nela se enterravam os finados que, pela grande distância a que estavam de Dornes, ficavam muitas vezes sem sepultura. E, segundo parece, ao lado da capela foram mantidas umas casitas, onde se abrigavam os eremitas.Também Bartolomeu de Macedo, nas suas Notícias se refere esta a capelinha: «A ermida da Senhora da Orada desta freguesia, está junto de um lugar que se chama Ventoso, junto da Estrada Real, e é de Nossa Senhora muito milagrosa e de grande comoção de gente que acha crer, valendo-se do seu patrocínio.»
Na fachada principal do
templo, conservam-se várias lápides com inscrições referentes a datas de intervenção na estrutura do imóvel, nomeadamente: 1852, 1985 a 1986 e 1904.

Património Integrado Existem na nave central desta capelinha dois pequenos altares laterais, executados em talha policromada, os quais são consagrados a Nossa Senhora de Fátima (lado do Evangelho) e ao Sagrado Coração de Jesus (lado da Epístola). Ainda na lateral esquerda foi colocado um painel de azulejos, de recente produção, representativo do Baptismo de Cristo, por S. João Baptista, no rio Jordão.
O retábulo-mor resume-se a um nicho central, emoldurado por
talha policromada, de igual execução à dos retábulos laterais. No tímpano da moldura foi incluído um conjunto de símbolos muito interessantes: a cruz de Cristo, junto da mão e olho de Deus; o cálice da eucaristia, sobre o qual se ergue uma hóstia raiada de luz; a insígnia da Virgem Maria (M e V sobrepostos) e, sob esta, o coração da redenção. O nicho central é reservado à imagem padroeira, cópia do orago quinhentista que se conserva na sala de sacristia, dentro de uma redoma de vidro. É esta imagem de pequenas dimensões (0.405m altura), esculpida em pedra com vestígios de policromia, e está datada como sendo do século XVI. Representa a Senhora da Orada - a Senhora em Oração -, segurando nos braços o Menino, que nas mãos recebe a Pomba do Espírito Santo. Repare-se que, sobre o altar-mor, está um alto-relevo esculpido em pedra, onde se encontra igualmente representada a Pomba do Espírito Santo, envolta por raios de luz. Ladeando este altar, existem outros dois pequenos nichos, onde foram depostas as imagens de Santo António (lado do Evangelho) e de S. Jorge (lado da Epístola).
Por fim, refira-se que as paredes interiores desta
capelinha encontram-se revestidas, numa altura de 8 unidades, por um silhar de azulejos de produção industrial, executados em tons de azul e branco, os quais obedece a um módulo de repetição de 2X2/2.

Estado de Conservação Edifício reabilitado, com manutenção regular. No entanto, o estado de conservação do orago original de Nossa Senhora da Orada é preocupante, carencendo esta imagem de intervenção urgente.

Grau 4 - Edifício
reabilitado ou reconstruído.
 
Intervenções Realizadas
Templo reabilitado nos anos de 1852, 1985 a 1986, 1904 e 2003.
 
 
 
Bibliografia
 
ALMEIDA; Dr. José António Ferreira de (Coord.); Tesouros Artísticos de Portugal; Lisboa; Selecções do Reader’s Digest; 1976; página 134

BAIÃO; António; Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere; Imprensa Nacional; Lisboa; 1918; páginas 51 e 52
 
COSTA; Padre António Carvalho da; Corografia Portugueza (...); Tomo III; Lisboa; Oficina Real Deslandesiana; 1712; Fólios

MALHEIRO; Bartolomeu de Macedo; Notícias das Igrejas do Bispado de Coimbra; Academia Real da História Portuguesa; 1726; Fólios 152 a 154

MARIA; Frei Agostinho de Santa; Santuário Mariano (...); 9 Tomos; Lisboa; Oficina de António Pedroso Galhão; Tomo 4º; Fólios 548 a 549

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 39