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Capela da Sagrada Família do Solar de Higino Otho de Queiroz e Melo na Frazoeira, Dornes

 
Capela da Sagrada Família do Solar de Higino Otho de Queiroz e Melo na Frazoeira, Dornes 
 

Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Conjuntos Edificados
 
Localização Dornes
 

Especialista Dr.ª Ana Torrejais

Morada Freguesia de Dornes, Lugar da Frazoeira

Referência co_Dornes_08
 
Propriedade Particular

Enquadramento Solar de Higino Otho de Queiroz e Melo. Templo integrado na fachada principal do edifício habitacional, sendo o acesso ao seu interior aberto para a via pública. Não obstante, esta dependência não denuncia o seu carácter religioso para o exterior.

Notícias Históricas O Solar de Higino Otho de Queiroz e Melo trata-se de uma construção modernizada, que em 1949 pertencia ao Sr. Dr. José Real. De acordo com uma data inscrita na verga da porta, a capela da Sagrada Família terá sido construída no ano de 1766, embora mais tarde tenha sofrido algumas remodelações.
 
Descrição Arquitectónica A capela privada do Solar de Higino Otho de Queiroz e Melo, apresenta-se totalmente absorvida pela fachada principal do edifício habitacional, não existindo qualquer elemento arquitectónico ou decorativo que a permita distinguir pelo exterior. A porta de acesso ao templo corresponde à primeira entrada que se abre no piso térreo, a contar pela lateral direita, em cuja verga da porta foi incisa a data de 1766, correspondente ao ano de fundação da capela.

Património Integrado Já interiormente, a capela da Sagrada Família é constituída por nave central, de pavimento lajeado e tecto forrado por 22 caixotões lisos, pintados a óleo com ornatos polícromos, que emolduram símbolos religiosos. No caixotão central, sobre o coro, está o brasão dos fidalgos: um escudo esquartelado com as armas dos Queiroses, Sousas, Melos e Vasconcelos, pintado posteriormente à decoração do templo, visto que tal brasão apenas foi concedido a Higino Otho de Queiroz e Melo a 8 de Maio de 1859.
Por sua vez, os revestimentos azulejares presentes no interior do templo datam, de acordo com Santos Simões, de cerca de 1740. No século XIX, este templo foi vítima de um incêndio que devastou grande parte do seu espólio, daí que o revestimento azulejar que actualmente o preenche se encontre bastante mutilado.
Este é constituído por quatro grandes painéis que representam, do lado do Evangelho, Santa Maria Madalena e Santo Onofre e, do lado da Epístola, São Bento e Santa Genoveva. Na capela-mor existe ainda um pequeno painel que representa um eremita lendo ao pé de uma árvore. Todos estes registos são cercados por uma moldura de folhagens e anjinhos e descansam sobre um silhar de anjinhos trombeteiros, igual ao que se encontra na igreja matriz do Beco. O revestimento apresenta 22 azulejos de alto, prolongando-se do corpo da capela até ao altar-mor. A porta que, do complexo habitacional, dá acesso ao coro-alto, é também emoldurada pelo mesmo tipo de barra que rodeia os painéis azulejares.
A passagem para a capela-mor é realizada por meio de um arco cruzeiro de volta perfeita, onde à parede frontal foi justaposto um retábulo de talha policromada setecentista, preservando-se no nicho central um Cristo Crucificado em marfim e um grupo escultórico da Sagrada Família, cujas mãos, rostos e pés são de marfim, enquanto que os corpos são de madeira. Nas paredes laterais da ousia existem ainda dois quadros de pintura a óleo, representativos da Virgem e de Santo Onofre; de acordo com o Inventário Artístico de Portugal, este último quadro poder-se-á tratar de uma reprodução da tela de Domingos António de Sequeira que se encontra no Museu Nacional de Arte Antiga.

Estado de Conservação Grau 4 - Edifício reabilitado ou reconstruído.
 
 

Bibliografia
 
SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 43