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Capela da Sagrada Família da Quinta do Vínculo dos Senhores da Frazoeira, Dornes

 
Capela da Sagrada Família da Quinta do Vínculo dos Senhores da Frazoeira, Dornes

 
Ficha Técnica
 
 
Característica Arquitectura Religiosa

Classificação Conjuntos Edificados

Localização Dornes

Especialista Dr.ª Ana Torrejais

Morada Freguesia de Dornes, Lugar da Frazoeira
 
 
Referência co_Dornes_07
 
Propriedade Particular

Enquadramento Quinta do Vínculo dos Senhores da Frazoeira. Templo integrado na fachada principal do edifício habitacional, sendo o acesso ao seu interior aberto para a via pública.

Notícias Históricas A designada Quinta do Vínculo dos Senhores da Frazoeira pertenceu a Manuel Camelo de Carvalho e a sua mulher, D. Maria Josefa Perpétua Cotrim Saraiva de Matos e Carvalho, pais de D. Mariana Paula Cotrim Camelo de Carvalho e Vasconcelos, por sua vez casada com o Dr. João Alberto Camelo de Carvalho. De facto, e segundo o Doutor Bartolomeu de Macedo Malheiro, a capelinha privada da Sagrada Família pertencia, em 1726, a Maria Josefa Perpétua Cotrim de Carvalho, por essa altura já viúva do Capitão-mor Manuel Camelo de Carvalho.
Passou depois ao Sr. Dr. António Miguel Cardoso Gramacho e, em 1949, pertencia ao Sr. Visconde de Tinalhas.

Descrição Arquitectónica A capela da Sagrada Família ocupa o extremo da fachada da Quinta do Vínculo dos Senhores da Frazoeira, apresentando-se como uma dependência alteada, que claramente se destaca do restante da composição arquitectónica. A fachada do templo caracteriza-se pelas suas linhas equilibradas e pela proporcionalidade das formas dos seus elementos decorativos. Sobre a porta de entrada eleva-se um janelão de sacada com gradeamento, cujo lintel é sobreposto por um frontão interrompido. Termina a empena num belíssimo frontão triangular, encimado por uma cruz de Cristo ladeada por dois pináculos, e de onde sobressaem duas goteiras de boca de canhão sobre os cunhais.
O interior é de nave única, pavimento lajeado e tecto em abóbada estucada, onde recentemente foi aplicada uma pintura mural. A passagem para a capela-mor realiza-se por meio de um desnível de dois degraus e um arco-cruzeiro de volta perfeita, em cuja cantaria existem alguns vestígios de policromia.

Património Integrado  No corpo central, oito grandes painéis de pintura azul forram as paredes, numa altura de 21 elementos, sendo as três fiadas inferiores preenchidas por azulejos de figura avulsa. Santos Simões data estes revestimentos de 1740. Aí encontram-se figurados: S. Bruno, S. Francisco de Paula e S. Basílio (lado da Epístola); S. Bernardo e S. Jerónimo (ladeando a entrada); S. Efrém, S. Paulo e S. Fulgêncio (lado do Evangelho). Por esta razão, é igualmente atribuída a este templo a invocação de Capela dos Seminaristas.
Na capela-mor existem outros dois painéis que representam, do lado da Epístola, S. João Evangelista escrevendo sob inspiração de N. S. da Conceição e, do lado do Evangelho, S. João Baptista pregando. Estas duas composições sobrepujam, por sua vez, cada uma delas, um painel de menores dimensões, onde figuram cenas bucólicas, do tipo das que se encontram na igreja matriz do Beco e na capela do Solar de Higino Otho de Queiroz e Melo.
De facto, o traço e esquema compositivo que caracterizam estes painéis acusam o trabalho de um mesmo autor, que terá produzido, na mesma época (c. 1740), para os dois templos já referidos. Para além disso, o tipo de molduras que cercam as composições azulejares são igualmente idênticas. O único factor discrepante é a existência, nesta capela, de um silhar de azulejos de figura avulsa, cuja tipologia, bem como a respectiva guarnição, não se repetem nem no Beco, nem no Solar de Higino Otho de Queiroz e Melo.
O altar-mor, realizado em talha policromada setecentista, ocupa toda a parede frontal e, no nicho central, conserva-se uma Sacra Família do século XVIII esculpida em madeira.

Estado de Conservação Grau 4 - Edifício reabilitado ou reconstruido.
 
 

Bibliografia
 
CARDOSO; Padre Luis; Diccionario Geografico (...); 44 Volumes; Biblioteca Real; 1758-1832; Volume 13; Nº 31; Fólios 185 a 190

SEQUEIRA; Gustavo de Matos (dirc.); Inventário Artístico de Portugal; Volume III: Distrito de Santarém; Lisboa; Academia Nacional de Belas Artes; 1949; Página 43